sábado, 6 de outubro de 2012

Death Valley


Desta vez botei o despertador para funcionar e venci a tentação de dormir até mais tarde e aproveitar que não estava dentro da barraca, onde você acorda de acordo com os desígnios da natureza. Depois de um rápido café da Manhã no Burger King, segui em direção ao Vale da Morte. A estrada começou a me fascinar. Retas imensas cortando um terreno pedregoso e com área. Uma estrada circundada por belas montanhas. As retas seguem até o limite de sua visão no horizonte algumas vezes. Medi uma das retas, que acredito não ter sido a maior delas e deu algo em torno de 4,5 Km. Isso que chamo de Infinita Highway.

Entrei no Death Valley no inicio da tarde. O calor é uma coisa muito absurda por aqui. Death Valley é o lugar mais quente do Planeta. Já foram registrados 57º C de temperatura por estas bandas, além de outros recordes de temperatura. Hoje estava um dia fresco e fazia apenas 43º C quando cheguei... Entrei pelo sul da reserva na Bad Water Road, que leva ao Furnece Creek, onde existe um centro de informações ao visitante. No caminho, passei pelo ponto mais baixo do continente inteiro. Um deserto de sal, não tão bonito quanto o da Bolívia, mas que fica em uma depressão de 88,5 metros em relação ao nível do mar. A depressão é causada pelo movimento de placas Tectônicas. O local só não é inundado por água devido ao fato de ser extremamente seco e quente o que faz com que a água evapore rapidamente. Portanto, mesmo nas raras ocasiões em que chove por aqui, a água rapidamente some do lugar.

Segui a viagem e passei por um lugar chamado Artistic Drive. O lugar é muito bonito. Passa por montanhas com belas vistas do deserto e com varias tonalidades de cores. Muito bacana dirigir por ali. Finalmente cheguei ao Furnece Creek e paguei a entrada do parque, oportunidade em que ganhei um mapa e recebi informações sobre alguns dos roteiros que planejava visitar. Tive a boa noticia de que alguns Campings próximos a vila de StovePipe Wells eram gratuitos. E curiosamente estes eram os melhores Campings porque o lugar é mais alto e consequentemente um pouco mais frio.

Confesso que a ideia de dormir em Camping não estava me agradando muito. Em Yosemite e Sequoia havia passado frio. Agora estava com a sensação de que iria cozinhar dentro da barraca. Mas acho que calor é mais fácil de lidar do que frio, decidi encarar. No caminho ainda parei no sitio Histórico da Harmony Borax Works. Este era um local onde o Borax (não sei que metal é esse), era processado. Devido ao alto custo de transporte pelo deserto no início do século 20, o material era processado no próprio deserto e depois era transportado pela companhia Twenty Mule Team, que usava um comboio de mulas para transporte de minerais. No local, ainda é possível ver parte dos equipamentos utilizados para processamento do minério. 

Ainda consegui passar no Zebriskie Point, um morro com uma vista do Vale (ponto mais baixo do deserto que mencionei algumas linhas acima) e pelo Twenty Mule Team Canyon, um local que não achei nada de mais. Você apenas dirige entre alguns morros, mas não vi nenhuma informação histórica sobre este local.

Quando cheguei a vila de StovePipe, o sol já estava se pondo. Ainda parei nas dunas de areia para tirar algumas fotos e depois parei na Vila, onde consegui tomar um banho e comprei algumas coisas no mercadinho que tem por aqui.

Segui já de noite para o Camping gratuito em que ficaria. Quando cheguei lá, me assustei. Não tinha ninguém no Camping. Comecei a pensar se eu era o único maluco disposto a acampar no deserto. Quando fui montar minha barraca, minhas estacas não fincavam no chão, que é tão duro quanto pedra. Aliás, pedras foram a solução dos meus problemas. Usei um monte delas como sustentação da barraca. Desisti de usar as estacas. O único porém é quem a barraca ficou sem a lona.. Mas pensei, quem se importa com a lona no calor que estava fazendo... O céu, nem na chapada vi tantas estrelas como por aqui. O braço da Via Láctea em contraste com as montanhas foi algo incrível de se ver. Um pouco depois chegaram outras pessoas e a Lua apareceu. Isso tirou um pouco o clima “Wild” do lugar, mas tudo bem. Levei uma garrafa de vinho para dentro da barraca e um fone de ouvido. Foi minha primeira noite bem dormida em um Camping desde que cheguei. Uma brisa gostosa soprou para dentro da barraca a noite inteira. No final até senti um pouco de frio, mas nada que o saco de dormir que estava a postos não resolvesse. 



Infinita Highway

Vilarejo de Shashona



Bad Water

Placa indicando no morro onde fica o nível do mar. 



Artistic Drive



Twenty Mule Team

Restos da usina de refinamento de Borax






Nenhum comentário:

Postar um comentário